O que é o Flexitarianismo (e porque quero tentar)?


Faz algum tempo desde o último post. Estava a precisar de uma pausa das redes sociais e estou a regressar, lentamente.

Para começar o ano "arrumei a casa" e fiz algumas alterações no blog. Nada muito fancy, apenas alguns reajustes, mas no geral, mantendo o layout  e o conceito. Foi uma mudança tipo shop your own stuff e estou satisfeita com o resultado. A reentré serviu também para "arrumar os pensamentos". Não quis delinear objectivos específicos para este ano. O mindset é "deixar acontecer" mas estar atenta, alerta ao que me rodeia, de que forma é que o meu meio me influencia e me guia no meu caminho.
Entrei no ano, com um pequeno desafio pessoal: uma semana com uma dieta ovolactovegeitariana, ou seja sem comer carne ou peixe e partilhei alguns pratos no meu instagram #fedraovolactoveggiechallenge.

Acredito que as escolhas que cada um faz à mesa têm impacto, não só pessoal, mas acima de tudo global - comer carne é mais do que um problema de saúde pessoal, afecta também o bem-estar do nosso planeta. Pesquisas recentes mostram que a pecuária é um dos maiores geradores de gases do efeito estufa, logo a seguir aos transportes.

Sejamos honestos, deixar de comer carne e tornar-me completamente vegetariana, não faz parte dos meus planos, pelo menos para já. Ainda assim não deixo de pensar, o que é eu como individuo posso fazer para ajudar o planeta e a mim própria por consequência?


Um dia da semana sem consumir carne ou peixe, faz parte da minha rotina há muito tempo - sou adepta da Meat Free Monday - campanha criada em 2009 por Paul McCartney, vegetariano há mais de 40 anos, que incentiva as pessoas a passar pelo menos um dia da semana sem comer carne ou peixe

Porém saltar de um dia para outro de uma dieta em que comemos tudo para uma dieta estritamente vegetariana não me parece o mais correcto e foi por isso que comecei por testar a dieta ovolactovegetariana. 
Num estudo da Universidade de Oxford, lê-se que se a população do mundo adoptasse uma dieta ovolactovegetariana (sem consumo de carne/peixe, mas com ovos, leite e derivados), a diminuição as emissões de substâncias causadoras do aquecimento global, chegaria a 60%.
O ovolactovegetarianismo é um tipo de dieta vegetariana em que, além dos alimentos vegetais, também é permitido comer ovos e leite e derivados como alimentos de origem animal. Assim, peixes, carnes e seus derivados são excluídos da alimentação como em qualquer outro tipo de vegetarianismo. Quando inserida numa alimentação saudável, esta dieta, pode ajudar a diminuir o colesterol e prevenir problemas de saúde

Depois de uma semana com esta dieta, posso avaliar que o mais difícil foi decidir o que fazer para as principais refeições. Apesar de não ser totalmente restritiva, sem dúvida desafiou a minha criatividade culinária e obrigou-me a pesquisar por novas receitas e novos ingredientes e esse foi o lado mais positivo do desafio.  Porém, depois de pesquisar mais a fundo, cheguei à conclusão que seguir uma deita ovolactovegetariana, pode levar ao aumento de peso e a problemas de saúde quando ocorre consumo excessivo de alimentos ricos em açúcares e cereais refinados.  Se não temos atenção é muito fácil enveredar pelo caminho menos saudável desta dieta e cair numa espiral de açúcares e gorduras. Por este motivo, continuei a investigar e dei com a dieta flexitariana.

A ideia do flexitarianismo, que une o conceito de vegetarianismo com flexibilidade,  é de que, não é necessário eliminar de forma radical o consumo de carne e peixe para se obter os benefícios associados à dieta vegetariana. Os flexitarianos, têm sobretudo uma preocupação por consumo de proteína de origem vegetal, dando prioridade à confecção e ao consumo de pratos vegetarianos, mas  consumindo esporadicamente carne ou peixe.
Os adeptos desta dieta privilegiam, o consumo da produção local, o consumo de alimentos sazonais, a escolha de produtos sustentáveis e a diversidade de alimentos, o que me parece interessante. A parte mais importante do flexitarianismo não é quantos dias ou refeições sem carne, mas quantas refeições vegetarianas (ou dias inteiros) conseguimos fazer. Flexitarismo não é um plano de limpeza ou dieta com prazo de validade, é sobre construir uma mentalidade que promova hábitos alimentares saudáveis para o resto da vida.


O que eu tenho feito para reduzir o consumo de carne e aumentar os vegetais e cereais integrais


  • Abusar dos verdes. Para uma salada que realmente enche, misturo três a quatro chávenas de rúcula (não faço bem a digestão da alface) com toneladas de outros legumes, como cenoura, beterraba, tomate, brócolos e junto com uma proteína à base de plantas - por exemplo uma colher de sopa de húmus. Vê a minha receita de húmus aqui.
  • Uma chávena de feijão ou lentilhas para substituir a carne numa salada ou numa tigela de arroz.   
  • Para os lanches, um punhado de frutos secos (com moderação).
  • Às vezes uso substitutos de carne - tofu e outros produtos à base de soja - junto com vegetais, grãos integrais e frutas. Manter texturas é importante para colmatar a falta da carne rica em texturas diversas.
  • Para os grãos integrais como o arroz, costumo deixar de molho de um dia para o outro, para evitar a formulação de gás e também para que cozinhem mais rápido.

No fundo não é uma abordagem de tudo ou nada. Em vez disso, como muitas coisas na vida, a moderação é fundamental. Para já,
esta a dieta vai mais de encontro ao que pretendo para mim.

Parece ser uma maneira mais saudável de comer, que inclui significativamente mais grãos integrais, legumes, frutas e vegetais e menos carne. No fundo é aprender a fazer escolhas inteligentes, no que respeita à alimentação. O conceito não é novo, e embora não signifique que seja fácil, quero fazer um esforço extra e aplicar estes conceitos da dieta flexitariana no meu dia-a-dia, para ver no que dá. Para já o lema vai ser:

Go flexatarian or go home!


Fotografia - Daria Shevtsova

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