2 SÉRIES QUE VI RECENTEMENTE E QUE NÃO PODEM PERDER



Eu não sei como é convosco, mas este frio de Inverno, polar, que se instalou desde o início do ano, tem sido difícil de suportar. Principalmente à noite.

Por isso, a única coisa que, nestes dias me conforta, é saber que depois de um dia de trabalho chego a casa e salto para o pijama e para debaixo dos cobertores, com um chá bem quente. Ah, aproveito e vejo um bocadinho de TV e é perfeito!
A fórmula para estas noites de inverno geladas têm sido: chá quente + sofá + cobertores +  tv.
Tinha acabado a série Westworld e sem saber o que ver a seguir, lancei a questão no facebook do blog, a pedir recomendações de boas séries de tv. A maltinha das séries respondeu e eu agradeço! As minhas noites, a hibernar na caverna tem sido uma beleza. Das recomendadas já foram duas "a baixo"!

Foram dois, três e quatro episódios por dia, cada um melhor do que o outro. Autêntico binge-watching ou maratonas de séries. O sono reparador já era… 

THE MAN IN THE HIGH CASTLE


Acabei de ver a segunda temporada desta série, esta semana, e estou com aquela nostalgia, que nos faz querer continuar ligada à história e aos personagens como se não conseguisse aceitar que acabou e que (para já) não há mais episódios. Esta história, fez-me pensar e questionar e infelizmente até enquadrar algumas coisas no panorama mundial actual. Por isso ainda estou com ela, digamos que, "atravessada".

A série, tem duas temporadas, cada uma com 10 episódios, de 1h cada, e foi produzida para a Amazon Prime, no ano passado. É baseada no romance distópico de Phillip K. Dick que explora uma realidade alternativa em que os japoneses e os alemães ganharam a Segunda Guerra Mundial.
É tão intensa e provocadora, que chega a ser incomodativa. Não sei se me faço entender, mas ver todo um panorama mundial liderado pelos nazis é algo que arrepia. 
Não deixa no entanto de ser cativante, principalmente pelos pormenores, como as referências que encontrei na primeira temporada a David Lynch e à mítica série Twin Picks e a Blade Runner, o que não é de estranhar dado ao envolvimento de Ridley Scott como produtor executivo da série. 

É uma série com uma cinematografia excelente para tv, produção impecável  e se desligarmos o som transmite uma sensação incrível de realidade de tão boa que é a fotografia.
De todas as personagens, a que mais de destacou, para mim. foi o Obergruppenführer John Smith (interpretada por Rufus Sewell), que me provocou uma dualidade de sentimentos impressionante - odiei-o por tudo o que representa mas ao mesmo tempo é uma personagem com coração, um pai de família que no fundo queria ser um bom homem e que pensava que era um bom homem mas que se juntou a um sistema maligno e doente. O actor faz, realmente, uma excelente exploração da luz e da escuridão da personagem. Mas eu pergunto-me: como é possível humanizar os nazis desta maneira? Por isso odiei este sentimento, mas não podemos ignorar eles eram humanos e somente os seres humanos são capazes de tanta desumanidade.

O ponto menos positivo, nesta série é que a narrativa é um bocadinho confusa, porque tem muitas personagens principais com enredos relevantes para o todo da historia e por isso é preciso seguir com atenção.

Temos além do enredo do terrível império nazi,  o duro imperialismo japonês e a resistência que faz face a ambas as facções. As histórias das personagens parecem estar sempre interligadas de alguma forma. No contexto da realidade representada na série, a possibilidade da existência de realidades alternativas, acontece por meio do I Ching - o oráculo chinês pelo qual o autor da obra original, era completamente obcecado - e as vidas das diferentes personagens estão sempre interligadas nessas realidades alternativas. Quem não gostaria, de poder espreitar outra realidade? Nem, que fosse só para um pequeno vislumbre...

No fundo esta série, mais do que qualquer outra coisa, deixou-me realmente a pensar o quão preciosa é a liberdade e que tipo de sacrifícios faríamos para mantê-la. 



THE OA


Não sei se é uma série de ficção científica, se um drama ou um thriller. Acho que é um drama parapsicológico, se isso existe. Uma coisa é certa, esta é uma série que provoca emoções fortes seja amor, decepção ou exasperação.

É uma temporada de oito episódios, criada, para a Netflix, pelos cineastas indie Brit Marling e Zal Batmanglij, que retrata temas como a morte e as trevas e centra-se muito na compreensão da cegueira. A privação sensorial é uma preocupação fundamental do enredo, que enfatiza toda a necessidade de sentir o toque da outra pessoa, sentir as próprias emoções e sentir a liberdade.

O sucesso da história depende muito se nos deixamos levar por ela ou não e parte do que torna esta série tão especial é a forma de contar a história. Grande parte da série, gira em torno da forma como OA conta as suas experiências e o grande destaque é a forma como estes relatos são retratados e trazidos à vida. Eu adorei e sinto que me tocou de uma forma que ainda não consigo explicar.

É uma história de amor, perda, desespero e descoberta que só é interrompida em lugares quando as vidas dos personagens voltam ao seu dia-a-dia. Todos os dias, também eu queria voltar a subir as escadas e abandonar a “realidade” do meu dia-a-dia, de tão forte o impacto da história. A narrativa está de tal forma bem construída que faz com que os espectadores também sintam parte daquele grupo, de cinco pessoas consumidas pela história de OA. É um formato, tão poderoso que nos faz questionar a linha entre o que é a verdade e o que é ficção. É uma história, tão simples mas ainda assim tão complexa.

Para mim valeu bem a pena as 8 horas de sofá (cada episódio tem 1h).

"O maior erro que eu cometi foi acreditar que se eu lançasse uma bela rede, apenas apanharia as coisas bonitas" - The OA


Quais são as séries que andam a ver neste momento?

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