THE GIRL ON THE TRAIN - PAULA HAWKINS


Para quem disse aqui, que estava virada para leituras mais "fofas" e levezinhas, começar esta nova rubrica com um thriller é deveras estranho. Mas eu sou mesmo assim, estranha. Apesar de ser fã da literatura mais ligth, livros misteriosos e mais negros também têm lugar na minha "biblioteca".

A rapariga do comboio é um thriller negro e psicológico, que me manteve envolvida até ao fim. Soube recentemente que foi adaptado ao cinema. Já espreitei o trailer e vi que a personagem principal é desempenhada pela actriz Emily Blunt (confesso que não a imaginei assim tão bonita). Qualquer das formas estou muito curiosa para ver o filme, que penso que estreia em breve. Não quero deixar escapar grandes spoilers, mas para terem uma ideia, fica um pequeno excerto do livro:

Todos os dias, Rachel apanha o comboio... No caminho para o trabalho, ela observa sempre as mesmas casas durante a sua viagem. Numa das casas ela observa sempre o mesmo casal, ao qual ela atribui nomes e vidas imaginárias. Aos olhos de Rachel, o casal tem uma vida perfeita, quase igual à que ela perdeu recentemente.Até que um dia... Rachel assiste a algo errado com o casal... É uma imagem rápida, mas suficiente para a deixar perturbada. Não querendo guardar segredo do que viu, Rachel fala com a polícia. A partir daqui, ela torna-se parte integrante de uma sucessão vertiginosa de acontecimentos, afectando as vidas de todos os envolvidos.


Inicialmente achei o ritmo da história um pouco lento, mas de alguma  forma acabou por enquadrar o ritmo perfeito para revelar cada versão dos três narradores: Megan, Rachel e Anna. A história é contada a três vozes, com histórias interligadas e isso dá-lhe uma certa complexidade, cria um envolvimento do leitor com a história e com os personagens.  Cada personagem conta a sua versão, revela as suas percepções e isso contribui para criar uma certa tensão, que se sente ao longo de todo o livro. A partir do momento que nos vemos envoltos na história, é deixar ir onde ela nos leva. Ao longo do livro imaginei motivos malucos e selvagens - completamente errados - porque cada personagem é um suspeito e todos são uma possibilidade. A forma como a autora nos desorienta é notável e o suspense manteve-se mesmo até ao fim. Para mim isto é um factor uau, que costumo ser demasiado perspicaz nestes mistérios!

Rachel é o  narrador principal e a responsável pela história. O livro começa com ela, depois de um breve prólogo. Ela é uma mulher desorientada, com problemas de álcool, sem trabalho e completamente perdida. Está nos seus trinta e poucos anos, divorciada e a viver com uma amiga num subúrbio de Londres, enquanto "tenta" reerguer-se.  Rachel é uma alcoólica em fúria, completamente delirante, que apanha o comboio para Londres todos os dias para a sua companheira de casa, Cathy, não perceber que ela foi despedida meses antes, depois de insultar um cliente no trabalho.

Megan, o segundo narrador, não é muito melhor. No entanto ela tem uma história de fundo mais desenvolvida, que se desdobra lentamente e dá algum contexto, pelo menos, para suas escolhas. Mas ela também é difícil, orientada para o ego e auto-destrutiva. Anna é a menos simpática de todas. O seu contexto é algo ingrato e a sua narrativa fá-la parecer superficial, egoísta e por vezes mesquinha. Talvez ela seja simplesmente uma guerreira defendendo o seu espaço, a sua família. Talvez...

Um dos temas de The Girl on the Train parece ser como as pessoas são patéticas por detrás das suas fachadas. Não é exactamente uma mensagem alegre, nem um tópico que normalmente procure ler e neste livro foi uma abordagem que tornou a história realmente pesada mas ainda assim, muito interessante. 

Não me revi em nenhum personagem, mas isso não foi motivo de desânimo, muito pelo contrário. A imaginação e a ginástica mental entraram em acção e senti como se estivesse a espreitar pela fresta da porta a ver a história acontecer. Funcionou para mim como um romance de suspense, com reviravoltas mais ou menos (im)prováveis e com o continuar da história, fui investindo cada vez mais na resolução do mistério. A história desenrolou-se naturalmente e como já disse antes, só descobri o vilão mesmo no fim, o que para mim foi óptimo.

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